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abril 10, 2010 1 comentário

                               

digimon

O anime surgiu no Japão derivado ao sucesso dos manga. Claro que já existiam “desenhos” no Japão muito antes, mas estes eram pintados em madeira e com um outro nome: “Ukiyo-e”. O Manga só surgiu no século XX.
O anime teve influências da arte “Ukiyo-e”, e do Manga, mas a sua principal influência foram decididamente os desenhos animados da Disney, que estavam a dar os seus primeiros passos, o que influenciou os primeiros estúdios de anime no Japão, isto em finais da década de 40, princípios da década de 50.

Aproveitaram o design gráfico, no entanto onde sempre se distinguiu foi nas histórias tipicamente Japonesas, principalmente sobre a cultura ancestral Japonesa como é exemplo o anime de 1958 “Hakuya Den”, ou de 1959 “Anju to Zushiomaru”.
Também se começou a criar animes de fantasiosos como é o caso “Shonen Sarutobi Sasuke”, que tinha partes históricas, assim como magicas. Aqui começou a mistura da realidade japonesa com a fantasia, muitas vezes baseadas em lendas Shintoístas ou Budistas.

O primeiro anime de sucesso a surgir seria “Tetsuwan Atom” (mais conhecido por Astro Boy), isto em 1963, tento sido feitos 193 episódios, o que foi um feito para a época.
Surgiram outros animes com algum sucesso, como o foram “Gigantor”, ou “Speed Racer”, mas foi na década de 70 que começaram a aparecer vários sucessos, que levaram o anime até aos EUA (na Europa demoraria mais tempo), como o foram “Robotech”, “Space Battleship Yamato”, “Manzinger”, “Devilman”, “Alps no Shojo Heidi”, “Lupin III”, inclusive começou a mistura entre animes, como é o caso de “Mazinger Z Vs Devilman. Assim o anime tinha começado a sua conquista dos EUA, que demoraria algum tempo, mas que hoje em dia se pode notar em força com um grande número de eventos de anime e manga dos EUA.

É na década de 80 que começa a conquista da Europa pela animação oriental, com sucessos nunca esquecidos, e alguns dos maiores sucessos de sempre, como o foram: “Dragon Ball”, “Voltron”, Saint Seiya”, “Mobile Suit Gundam”, “Urusei Yatsura”, “Kimagure Orange Road”, “Captain Tsubasa”. Surgiu a explosão da qualidade e quantidade de filmes animados, como foi o caso dos vários filmes dos Studios Ghibli” como “Kaze no Tani no Nausicaa”,Vampire Hunter D, ou “Tenku-no Shiro Rapyuta”, e o aumento da qualidade pode-se notar em mega produções como foi o caso de “Akira” de “Otomo Katsuhiro”, em que além de um clássico, lançou definitivamente o anime como um artigo de qualidade, capaz de ultrapassar os comics americanos, ou a banda desenhada belga “Hergé”.

Efectivamente o que sempre distinguiu o anime da restante animação, foi a qualidade das suas histórias. Os heróis são muitas vezes trágicos (nem sempre saem vencedores, ou até vivos), e a tendência para o cataclismo do planeta presente em muitos animes como “Akira”, são características que puxaram cada vez mais os fãs, aliando ao grafismo da animação, influenciado pela Disney (como disse no principio do artigo), tornou-os mais apelativos. Quem é que não fica deslumbrado com os olhos grandes das personagens, e com um visual perfeito, ou seja, não há defeitos na cara, ou no corpo, excepto quando postos de propósito para dar o efeito de carácter. É curioso que os personagens bons têm sempre os olhos grandes e redondos, e os maus os olhos pequenos, tal e qual os olhos dos Japoneses.
Há outra característica curiosa no anime: O facto de serem quase sempre as mulheres as heroínas, o que é completamente o inverso da cultura japonesa, que só agora começou a abrir caminho para a igualdade por entre sexos. Talvez o anime tenha sido uma influência positiva para este facto.

A década de 90 foi a mais produtiva e a que tornou o anime num fenómeno mundial, e que conquistou o mercado da animação, ultrapassando totalmente os comics americanos.
Também trouxe uma nova realidade, as convenções de anime/manga, que se expandiram por toda a Europa e como pelo mundo, conseguindo muitas vezes ultrapassar eventos de “Star Trek”, e criando laços especiais entre os fãs de anime, que efectivamente, tornaram o anime cada vez mais poderoso. “Infelizmente” isto levou à realidade japonesa do “Otaku”, que para quem não conheça, aconselho a ler o bom artigo de André Pereira, presente neste site.
Em termos de animes, esta década trouxe-nos sucessos como o “Dragon Ball Z”, “Rurouni Kenshin”, “Néon Génesis Evangelion”, “Cowboy Bebop”, “Ranma ½”, “Sailor Moon”, “Vision of Escaflowne”, “Trigun”, “Card Captor Sakura”, ou os filmes que tiveram um grande sucesso, como “Ghost in the shell”, “Ninja Scroll”, “Princess Mononoke”, entre muitos outros filmes de sucesso. Nota-se neste período um aumento de qualidade da animação, como se pode observar em “Cowboy Bebop” ou em “Brain Powerd”, como também uma aposta cada vez maior nas Ost’s (original sound tracks), que já vêm dos anos 80, mas que nesta década é muito mais evidente como se pode verificar em séries como “Saber Marionette J”, ou “GTO”. Assim uma união cada vez mais forte entre a J-Music e o anime, duas vertentes da cultura japonesa que se tem afirmado internacionalmente.

Houve também um novo fenómeno que surgiu em 1997, o Pokémon, que conquistou o mercado de forma ainda mais rápida que o “Dragon Ball Z”. Devido aos video jogos tornou-se um dos “produtos” com maior lucro de sempre, que veio de “mãos dadas” com uma nova realidade, que considero infeliz: Uma menor aposta na qualidade dos enredos, e mais em séries que demoram muito tempo, e que produzam lucros o mais elevados possível, como é o caso de Pokémon ou Digimon, em que basta inventar novos “bonecos” para existirem mais episódios. Ou seja, é uma série que parece não ter fim, e o fim será súbito, dependendo do seu sucesso.

A Internet é outra realidade que apareceu no final da década de 90, que permitiu uma maior expansão do anime, principalmente com o surgimento de Fansubs. Estas permitiram que muitos animes que não saíam do Japão, ou que saíam tardiamente pudessem chegar mais depressa à Europa e aos EUA, para além do facto de ter permitido a existência de comunidades cada vez maiores de fãs de anime, que pudessem falar entre si, independentemente do seu local. Eu estando em Portugal, posso falar com alguém no Japão em tempo real.
Desta forma, a informação sobre anime chega mais facilmente, o que permitiu um maior conhecimento, disponível para todos que tenham um PC e ligação à Internet.

Por fim, falando da década actual, não vou aqui falar dos animes, pois não me é possivel referir quais são os maiores sucessos de uma década que não acabou. Mas posso afirmar que a realidade vivida no Japão, em termos de anime, é de uma estagnação de qualidade. Há uma cada vez maior repetição de séries de sucesso e uma aposta cada vez menor em séries experimentais. As companhias começaram a apostar só em apostas seguras.
Devo dizer que há algumas excepções, como o foram “Noir”, “Saikano”, ou “Last Exile”,”Full Metal Alchemist” entre outras.

A aposta actual é em séries como Inuyasha, Naruto, One Piece, Digimon, Yu-gi-oh, ou seja, séries com muitos episódios, com boas audiências, e que fiquem assim muito mais caras de adquirir (quantos mais episódios, mais DVD’s, mais dinheiro), e que mesmo com qualidade (eu até gosto muito destas séries), a verdade é que muitos episódios são só para “encher”!
Espero que esta realidade mude, senão teremos uma crise que pode afectar os estúdios, e logo pode afectar-nos. Também existe o problema da perseguição ao anime, que se observa na Espanha, a que eu chamo “A nova Inquisição”: Ao não perceberem a cultura japonesa, associações de país estão agora a atacar o anime como sendo demasiado brutal para os seus filhos. E pois claro que é. Afinal de contas, muitas das series são destinadas a adultos e não para crianças. Eu não aconselho um miúdo de 10 anos a ver “Boogiepop Phantom”, ou “Shutendoji”, ou “Hellsing”.

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